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N° 191 : “REI MOMO, REINO DE MORTE”

Ministérios EFRATA – O Bem & o Mal, a Cada Dia
Domingo, 15 de Fevereiro de 2015

Alguém aí é contra diversão? Não? Nem eu!Alguém aí é contra a descontração? Não? Nem eu!Alguém aí é contra o prazer? Não? Nem eu!Prazer, descontração e diversão são marcas características do carnaval, certo? Bem, talvez! É mais certo dizer que as verdadeiras marcas sejam outras, camufladas atrás de diversão, de prazer, de descontração.

E, quando foi que tudo começou? Nosso Brasil se gaba de ter o maior e melhor carnaval do mundo (pelo menos em alguma coisa o brasileiro tinha que ser primeiro!). Os historiadores oscilam entre séculos XIX e XVII, para apontar a origem. Certo é que veio da Europa: de Veneza (Itália), ou, mais provável, de Nice e Paris, na França. De lá, de onde veio? No século VII da nossa era, antigos festejos populares foram transformados em celebração religiosa, abrindo a Quaresma. A Quaresma é o período que, segundo certa tradição cristã medieval, simboliza os quarenta dias de jejum ‘eremita’ de Jesus Cristo, quando, tendo fome, foi tentado por Satanás; tomada a analogia, passou a ser o período casto de preparação para a Páscoa anual. Determinado número de semanas antes do Domingo pascal, havia um dia para a ‘despedida’ da ingestão de carne, porque o jejum estava à frente: em latim, carne+levale (“adeus, carne”), vesperal da restrição da alimentação aos nutrientes mais frugais, por razões religiosas. Naquele dia (ou, naqueles dias), nenhuma restrição à glutonaria, porque, depois, o jejum de carne seria longo. Entretanto, a origem dos festejos convertidos em celebração cristã vinham de mais longe: Em Roma, desde tempos pré-cristãos, havia as “Satúrnias” (ou “Saturnálias”) anuais. Eram festejos regados a comilança e bebedeiras, muita sensualidade e sedução, e muita licenciosidade: tudo o que era proibido, ano inteiro, era permitido naqueles cinco, seis ou até sete dias, sob a égide do deus Saturno. Os romanos, ao que parece, aprenderam com os gregos, em suas festanças à divindade Dionísio (‘deus’ do vinho). Dionísio também foi conhecido com o nome de Baco; daí veio a palavra “bacanal”, cujo significado nem é preciso relembrar.

Mas, nem os gregos foram originais na produção lúdica; historiadores de respeitabilidade afirmam que seus inspiradores estavam entre os egípcios ou os babilônios (ou ambos). Os primeiros, mais de um milênio antes de Cristo, promoviam festejos sensuais à sua divindade Ísis; já os segundos, em tempos aproximadamente concomitantes, realizavam as suas “Saceias”, bem como seus festejos no templo de sua divindade Marduk… E assim, é possível rastrear elementos históricos de identificação do carnaval moderno com antigas celebrações de folguedos, sob regalos, bebidas e libertinagem. O que havia de relativamente comum entre todos esses episódios históricos? Mais ou menos o mesmo que hoje se pode presenciar no Rio de Janeiro, em Salvador, em Recife e até em São Paulo.

E o Rei Momo? Não me refiro ao artista pessoal que o encarna; refiro-me à figura mitológica. É figura simbólica, cultural, personagem central do carnaval, porque é ele quem detém, nos dias de folia, o poder de liberar tudo: tudo pode, porque Momo permite!  Todo ano, prefeitos de cidades carnavalescas do Brasil entregam, simbolicamente, as chaves da cidade ao monarca dos foliões. O que Momo representa? ‘Grandes virtudes’: Ironia, sarcasmo, libertinagem, fanfarronice, deleite, sedução (já que se faz acompanhar do séquito de uma “rainha” e algumas “princesas”). E o resto é só alegria!… “Alegria”? Que alegria? Realidade triste deste país, tão farto em riquezas que Deus lhe propiciou, na obra da Criação (ou, pelo menos, na obra da remodelação, a partir do Dilúvio), e tão pobre de espírito, tão carnal. “Carnal”, aqui, tem o sentido figurado extraído da Escritura; representa o espírito de alguém que é escravizado por paixões instintivas e infames, próprias das vísceras mais subalternas, ao contrário das sublimes virtudes espirituais.  

“A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz” (Romanos 8.5, NVI), adverte com propriedade a Palavra de Deus. Talvez seja difícil a alguns leitores perceberem a profundidade de significado da elucidação bíblica que se segue, mas não será desdenhada por isto: “De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8:13-14, BCF). Esta afirmação tem projeções eternas!

Que o Rei Momo reine nos dias de folia; afinal, para isto já recebeu as “chaves da cidade”. Mas, que fique bem claro: trata-se de um reino de morte, e a regência de morte atinge a todos quantos amam a carnalidade, a impudicícia, a sensualidade leviana, a libertinagem irresponsável, tudo em nome da alegria, com toda a apropriação indébita que lhe é peculiar: a alegria verdadeira e genuína não deu licença para que se fale assim, em seu nome. Aliás, cuidado, você, que se diz cristão, não entra na avenida nem no bloco, mas tenta aproveitar cada cena que a TV ou a internet puderem propiciar… Muito cuidado! Por outro lado, você pode até não correr da cidade, onde Momo ‘reina’; pode até não se ausentar dos limites do seu domínio usurpador e nefasto; mas, tem uma alternativa, e essa alternativa é de vida e de paz: “E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Romanos 8:11, ACRF).

Na mensagem musical de hoje, o poeta sacro repete a mais candente afirmação cabível, em face do reinado fictício de Momo: Jesus ainda é o Rei dos Reis, assim como o será até à consumação do século; é a ele que convém a rendição das nossas almas, com coração, sentidos e tudo o mais. A interpretação é do grupo Heritage Singers, em 1974.

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Boa semana, até próximo Domingo, se Deus quiser (Tg 4.15) !
Ulisses

Notas das citações bíblicas:
ACF – Edição bíblica de Almeida, Corrigida e Revisada Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana
ARA – Edição bíblica de Almeida, Revista e Atualizada, da Sociedade Bíblica do Brasil
ARC – Edição bíblica de Almeida, Revista e Corrigida, da Sociedade Bíblica do Brasil
BCF – Bíblia Católica de Figueiredo, www.bibliacatolica.com.br 
NVI – Nova Versão Internacional, da Sociedade Bíblica Internacional